
Imaginem vocês que, em meio aos grandes centros de pesquisa da Inglaterra, na metade do século passado, existiam dois grupos de pesquisadores empenhados em desvendar o segredo da vida: a estrutura do
DNA. Em Londres, o grupo de
Rosalind Franklin (29 anos) e
Maurice Wilkins (33 anos), especialistas na técnica de
difração de raio-X, ou seja, tiravam "foto" de moléculas, algo parecido com as chapas de raios-X que tiramos de pulmão ou de ossos nos hospitais. Em Cambridge, Francis
Crick (físico, 35 anos) e James Watson (biólogo, 23 anos), dois pesquisadores
aficionados pelo
DNA e inspirados no livro
O que é a vida? do austríaco
Erwin Schodinger, um dos fundadores da mecânica quântica, que sugeria como a física, sobretudo a mecânica quântica, podia ser aplicada à genética. Watson e
Crick queriam criar um modelo para a molécula de
DNA, porém não entendiam
bulhufas de química e muito menos de
difração de raio-X. Mas eram
gênios...e
astutos! Francis
Crick era cheio de confiança na própria capacidade. Ele não se prendia muito ao método, ir para a bancada e fazer experimentos para provar uma hipótese dava muito trabalho! Gostava mesmo de concluir sobre o trabalho dos outros e, pasmem, costumava produzir teorias inovadoras e brilhantes. James Watson era um jovem cientista americano
obcecado pelo
DNA, mas não deixava de curtir a
boemia da idade. A questão é, de tanto especularem, tomando cerveja nos
pubs ingleses de Cambridge, sobre as forças, ligações e moléculas que estruturavam o
DNA, Watson e
Crick criaram várias hipóteses que foram sendo pouco a pouco confirmadas a medida que Watson xeretava os seminários de discussão de resultados do grupo de
Rosalind Franklin em Londres, principalmente quando se tratava das chapas de raio-X tiradas do
DNA. As fotos foram feitas por
Rosalind, mas as conclusões tiradas por Watson e
Crick baseadas nas chapas eram mais reais no que se tratava da estrutura do
DNA. Eles logo espalharam aos quatro ventos que haviam descoberto tal estrutura, só que... a comprovação, o resultado concreto não era deles. Isso deu um rolo...chegaram a ser banidos da comunidade científica e proibidos de trabalharem com
DNA.
Quem estava certo, aqueles que detinham a hipótese sem confirmação ou a confirmação sem hipótese?? Com o tempo e com a certificação de que suas teorias faziam muito sentido, Watson e
Crick foram
reaceitos e em 1953 foram
publicados na revista
Nature, número 171 (qualquer
coincidência...) os seguintes trabalhos: Molecular
structure of nucleic acids: a
structure of Deoxyribose nucleic acid (Watson/
Crick, p.737-738); Molecular
structure of Deoxypentose nucleic acid (
Wilkins et al., p.738-740); Molecular
configuration of sodium Tymonucleate (Franklin/
Gosling, p.740-741). Em 1962 Watson,
Crick e
Wilkins ganharam o
Prêmio Nobel de Medicina por esses trabalhos.
Rosalind Franklin havia falecido meses antes, por isso não foi contemplada com
Prêmio, talvez a maior merecedora.
É galera, o ego humano desafiou os princípios éticos, mas trouxe benefícios para humanidade, como, por exemplo, a elucidação do segredo da vida e toda a tecnologia que veio a partir daí, com a biologia molecular.
hahah Não sabia que foi justamente na edição 171 que o trabalho foi publicado na Nature. Depois de ler toda a história é impossível não rir da coincidência do 171! hahahha Valeu Carol!
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